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Posts Tagged ‘Segunda Guerra Mundial’

Anneliese Marie Frank, uma adolescente judia nascida na Alemanha, tornou-se tristemente conhecida e eternizada como Anne Frank, a dona de um diário que é um dos mais sinistros legados do sofrimento causado ao mundo pelo nacional socialismo da Alemanha de Hitler.

Anne morava na Holanda com sua família quando os nazistas lançaram a temida blitzkrieg sobre os Países Baixos, em 1940. No documento mundialmente notório a garota relata a vivência no Anexo Secreto, como era chamado um anexo de quartos construídos acima de um escritório de seu pai, Otto Frank, cuja entrada era ocultada por uma falsa estante de livros. Além de versar sobre o cotidiano no esconderijo, Anne também faz surpreendentes reflexões sobre o futuro de sua família e amigos, de sua nação e seu povo – e o faz com uma surpreendente maturidade. É difícil manter-se indiferente à madureza da menina ao tratar de temas tão delicados e complexos, com notável clareza. Isso porque é fácil ficar impressionado com tais singularidades, principalmente por morarmos em um país onde a educação “efetiva” ainda é uma utopia; onde adolescentes raramente lêem e quando o fazem, em sua maioria não conseguem entender o que lêem, tampouco construir um pensamento ou expressar-se adequadamente.

Anne, seus pais, sua irmã e mais quatro pessoas viveram no Anexo durante 25 meses, contando com a ajuda de funcionários de Otto Frank

O diário já se inicia em uma Holanda ocupada, onde vemos breves sinais dos estragos das leis alemãs que suprimiram direitos básicos dos cidadãos da comunidade judaica. A claustrofobia cresce vertiginosamente com o passar das páginas e ultima com o trágico destino de boa parte dos judeus varridos pela Alemanha Nazista do solo europeu.

Informações adicionais:

Anne Frank Museum – http://www.annefrank.org/

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“Mas o Protocolo é ainda mais revelador. Com gélida precisão, Heydrich esclareceu que a morte dos judeus aptos ao trabalho estava programada. Eles seriam ou esmagados pelas condições de trabalho ou assassinados por terem sido resistentes o bastante para sobreviver a elas.”

Este livro do historiador e professor da Universidade de Southampton, Mark Roseman, expõe em todos os detalhes a negativamente famigerada Conferência de Wannsee. Certamente, a maior relevância desta obra é expor as misteriosas origens de um triste fato histórico, que muitos conhecem apenas em suas conseqüências, seguramente mais óbvias e notórias.

A reunião, envolvendo proeminentes membros do Partido Nazista, oficiais da SS e alguns funcionários civis de certa relevância, foi realizada às margens do lago Großer Wannsee, nos subúrbios de Berlin, em 20 de janeiro de 1942. Apesar de ter durado apenas noventa minutos, neste encontro foi possível expor as linhas mestras sobre as quais iria se desenrolar um dos mais cruéis genocídios da história da humanidade.

Das trinta cópias do Protocolo de Wannsee (ata, do alemão Protokoll), apenas uma sobreviveu ao fim da guerra e foi descoberta por assistentes de um promotor americano durante a coleta de documentos para o Julgamento de Nuremberg. E foi exatamente essa cópia, de número 16, que descortinou ao mundo a frieza que ilustraria o Nazismo para as gerações futuras.

Entre guloseimas, drinques e charutos, os descontraídos participantes da Conferência de Wannsee debateram aquilo que já havia sido feito com relação aos judeus até 1941, bem como discutiram o que já se denominava, àquele momento, de “solução final da questão judaica” (Endlösung der Judenfrage), esclarecendo alguns pontos controversos e ratificando tudo o quanto Hitler e Himmler já haviam determinado. A reunião era a ocasião para apresentar, aos diversos atores do staff nazista, os planos e diretrizes daquilo que viria a ser o holocausto dos judeus pelo nazismo. Na linguagem eufêmica do documento, debatia-se quanto à “evacuação” de judeus para o leste.

Os trabalhos naquele dia foram conduzidos por Reinhard Heydrich (foto ao acima), o jovem SS-Obergruppenführer (General da SS), de apenas 37 anos, mas que já era chefe do Reichssicherheitshauptamt (líder de um corpo que incluía a Gestapo, a polícia criminal nazista e a SD – Sicherheitsdienst), um dos capachos mais próximos de Himmler, mas que já havia saído da sombra deste. Ironicamente, Heydrich, que capitaneara a conferência e, com isso, havia angariado respeito e poder, morreria em um atentado em Praga, meses depois.

A densidade das informações pode entediar os leitores menos acostumados a livros históricos sobre temas velados, apenas vislumbráveis por dados documentais extremamente burocráticos, envolvendo muitos memorandos, comunicações, números, cálculos e disposições logísticas.

Mesmo assim, esta obra não deixa de ser uma leitura necessária a todos que queiram descobrir como os nazistas discutiram, esclareceram, planejaram e executaram a morte cruenta de seis milhões de judeus, além de ciganos, alemães opositores ao nazismo, e outras minorias.

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“Estava só. Não no prédio, nem mesmo no bairro, mas em toda a cidade. Uma cidade que ainda há pouco tinha um milhão e meio de habitantes e fora um das mais ricas e mais belas da Europa. Hoje, no entanto, jazia em ruínas. Sob os escombros dos seus edifícios queimados e destruídos estavam soterradas as preciosidades culturais de todo o país acumuladas por séculos e os milhares de corpos de seres assassinados que se decompunham no calor dos últimos dias de outono.”

“O pianista”, do polonês Władysław Szpilman, pode ser considerado um dos mais valiosos e autênticos relatos da Segunda Guerra Mundial. O autor narra os horrores de uma guerra que atingiu a sua outrora bucólica Varsóvia, capital do país que foi o primeiro alvo de Hitler que precisou ser invadido violentamente com o aparato militar nazista em sua campanha expansionista, pois a Tchecoslováquia e Áustria foram territórios anteriormente anexados por mera pressão diplomática ou artimanhas políticas.

Escrito logo após o fim da guerra em 1945, o livro tinha o título original de “Morte de uma cidade” (Śmierć Miasta), que foi duramente fustigado pelo comunismo polonês do pós-guerra. Por isso, foi reeditado apenas em 1998 como “O pianista” (Pianista).

Retirado de sua rotina por um combate que se encontrava às portas de sua cidade, Szpilman, um pianista que trabalhava em uma rádio, passa a ver concidadãos e familiares desaparecerem, e atos antes tão comuns, como atravessar uma rua ou matar a sede, passaram a ser problemas extremos de sobrevivência, como que pequenas amostras daquela gigantesca e cruel guerra.

O fascinante nos relatos de Szpilman não são os fatos em si, mas o modo como estes são contados. Sem ira, sem julgamentos e sem valorações. Em vez de tais traços – infelizmente tão comuns em livros do gênero – percebe-se um testemunho clínico, claro e preciso. Não se vêem adjetivações nem intervenções narrativas. A nudez dos relatos faz com que o autor pareça ser um ‘fantasma’, uma vítima que não conseguiu sobreviver aos terrores nazistas e, não tendo mais nada a perder nem a ganhar, apenas conta sua tragédia imparcialmente, sem se preocupar com mais nada.

Szpilman, um dos poucos judeus sobreviventes de Varsóvia que não foi enviado para um campo de concentração, demonstra uma grandeza de caráter extraordinária, ao relatar a destruição de sua família, seus amigos, sua cidade e sua liberdade com tamanha frieza e responsabilidade.

“O pianista” representa a mais perfeita definição do ato de testemunhar e reserva unicamente aos leitores a possibilidade de fazer julgamentos.

Um triste marco na história da humanidade, registrado de uma forma assombrosamente fiel e realista. É como reviver um pesadelo através dos olhos de Szpilman.

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“Ao contrário do poeta, não foi exatamente por delicadeza que naqueles quase nove meses perdi parte de minha mocidade, ou o que restava dela. A guerra, repito, é nojenta. E o que ela nos tira (quando não nos tira a vida) nunca mais nos devolve.”

O ano era 1944. Na assolada Europa a Segunda Guerra Mundial já se encontrava nos princípios de um agonizante fim. No Brasil, o presidente dos “Diários Associados” (um enorme conglomerado empresarial da imprensa à época), Assis Chateaubriand, convocou o jornalista Joel Silveira para a cobertura das incursões da Força Expedicionária Brasileira na Itália fascista do tresloucado Mussolini; e o fez com as seguintes palavras, diante do já fardado jornalista de 26 anos: “Silveira, me faça um favor de ordem pessoal. Vá para a guerra mas não morra. Repórter não é para morrer, é para mandar notícias.”

E com esta ordem seguiu para a Itália o jovem e competente correspondente de guerra, que lá se juntou a Rubem Braga (Diário Carioca), Egydio Squeff (O Globo) e Thassilo Mitke (da Agência Nacional), além de ter convivido com muitos outros repórteres compatriotas e de outros países.

Escritos em forma de diário, alguns dos melhores textos de Joel são trazidos neste intenso e singular livro, onde nos são mostrados, com simplicidade e um certo lirismo, a rotina no front e o deslinde dos avanços da FEB. Tais relatos foram originalmente publicados no mesmo ano em que a Segunda Grande Guerra havia terminado – 1945 – no livro “Histórias de Pracinhas”. A atual edição, trazida pela Objetiva (vide foto acima), conta com um maravilhoso e inédito texto autor, que apresenta – com muita sensibilidade – a obra ao leitor, servindo também como um singelo desabafo aos anos e anos de comentários insensíveis e impensados, que insinuavam ter sido um mero “passeio” a participação do Brasil na guerra, bem como classificando como “fácil” o trabalho dos correspondentes na Itália.

“O inverno da guerra” pertence a uma primorosa coleção chamada “Jornalismo de Guerra”, da editora Objetiva, inaugurada com “A Queda de Bagdá”, de Jon Lee Anderson e que também conta com o excelente “O Gosto da Guerra”, de José Hamilton Ribeiro, repórter brasileiro que cobriu a guerra do Vietnã. Vale a pena dar uma olhada nesta arrebatadora coleção, que promete lançar os mais fortes e célebres relatos dos maiores conflitos bélicos dos séculos XX e XXI.

Enfim, este relato de Joel Silveira é indubitavelmente uma ótima oportunidade para conhecer, mesmo que superficialmente, alguns aspectos de um dos mais importantes episódios da história do Brasil, às vezes tão injustamente esquecido ou menoscabado.

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Joachim Clemens Fest, famoso historiador e jornalista alemão, é o autor de “No Bunker de Hitler: Os Últimos Dias do Terceiro Reich. Fest sempre foi um dedicado estudioso de vários aspectos da Alemanha Nazista, em especial sobre Adolf Hitler, Heinrich Himmler e o arquiteto nazista Albert Speer (inclusive, Joachim Fest é bastante conhecido por ter escrito a completíssima biografia de Hitler, em dois volumes, ambos publicados no Brasil pela editora Nova Fronteira).

Nascido em Berlim em 1926, passou a adolescência fugindo do alistamento na Juventude Nazista. Ao fazer 18 anos optou por entrar para o Exército Alemão, evitando ser forçadamente recrutado para as agourentas Waffen SS (forças especiais inicialmente voluntárias, altamente treinadas e que tiveram crucial papel no Holocausto; na reta final da Segunda Grande Guerra tornaram-se comuns as convocações compulsórias para preencher as fileiras destas SS Armadas). Esta opção foi vista com muito desgosto por seu pai, Johannes Fest, um alemão que desde o princípio já sentira os fétidos odores do nazismo e era fervoroso opositor do regime totalitário de Hitler. O jovem Joachim terminou sua participação no conflito como prisioneiro na França. Após a guerra estudou direito, sociologia, história da arte e literatura alemã – porém, sempre manteve em mente aquele período histórico, por ele intensamente testemunhado em sua juventude.

No Bunker de Hitler” é uma obra que buscou dirimir várias obscuridades e incongruências de outros relatos sobre os últimos dias do ditador alemão e seus principais asseclas, que comandavam um Terceiro Reich moribundo enquanto se abrigavam em um bunker construído abaixo do prédio da Chancelaria.

Este assombroso livro é considerado a narrativa definitiva dos últimos dias do Reich de Hitler e, ainda mais, consagrou-se seguramente no hall dos livros mais importantes sobre aqueles nefastos anos da história da humanidade.

Ademais, é uma ótima dica de leitura para aqueles que assistiram ao filme “A Queda” (Der Untergang, 2004) – baseado no livro de Fest – e ficaram um pouco confusos com a enorme quantidade de personagens, ou queiram ter um entendimento mais profundo sobre este trágico epílogo da Alemanha Nazista. Recomendadíssimo.

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