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Posts Tagged ‘Direito’

Polêmico. Com este único termo podem ser resumidas muitas das opiniões sobre o livro do advogado Saulo Ramos, muito debatido nos colóquios dos estudantes e profissionais do meio jurídico. A obra apresenta uma aura de autobiografia, sempre arraigada em interessantes e relevantes fatos da recente história política do Brasil, além de divagações variadas sobre temas internacionais e algumas abstrações.

O segredo de Saulo para cativar o leitor é narrar, paralelamente à sua própria história e suas ponderações, as dificuldades e deslindes de um misterioso e complexo caso, no qual atuou como advogado de um perturbado pai, acusado de ter praticado atos imorais contra seus filhos, e que ameaçara, de início, se matar caso o ilustre causídico não aceitasse o patrocínio de sua defesa – jurando de antemão ser absolutamente inocente e injustamente perseguido por sua ex-mulher. A este fio condutor o autor retorna constantemente após divagar despreocupadamente em outros domínios.

Nos comentários políticos e jurídicos o livro é bastante ácido e impiedoso com certas figuras de nossa história, principalmente com alguns indivíduos que integram e integraram diversas posições no Poder Judiciário brasileiro. E é óbvio que essas passagens que abusam das críticas são as mais divertidas do livro, além de serem igualmente deleitosas as reflexões de Saulo Ramos sobre as enraizadas mazelas causadas pela corrupção em nosso país, que apenas se repetem em novos episódios com o passar dos anos – como somos forçados a concluir com a exposição constante no “Código da Vida”.

Entretanto, muitos críticos sustentam que o autor peca ao ser parcial e não criticar seus amigos, como os da família Sarney, para citá-los a exemplo. Ora, seria ilógico esperar uma postura diferente de alguém que, no decorrer de seus relatos, lida com amigos de longas datas. Caso alguém queira fazer “justiça” e complementar os relatos de Saulo Ramos devia sentir-se livre no uso e gozo de sua liberdade de expressão e escrever suas próprias impressões. Outros se preocupam em apontar com ardor certas incoerências históricas ou cronológicas. Sem embargo da procedência de algumas dessas falhas ou até mesmo das recriminações, creio que a afixação exagerada a tais detalhes acaba por sugar o prazer da leitura. Apontar é uma coisa; desmerecer a obra por alguns destes pontos – como vi em algumas resenhas – é algo demasiado intolerante e não muito saudável.

Em minha singela opinião, acho que muitos se preocuparam com o miolo do livro e não se lembraram de ler ou reler uma citação de Rivarol, feita na contracapa em uma afável saudação de Jô Soares, ao autor e amigo, Saulo Ramos:

“O gênio e o talento: o historiador e o romancista fazem entre eles uma troca de verdades, de ficções e de cores para dar vida ao que não é mais.”

Eis o mote que melhor conduzirá a leitura deste livro. Leiam e tirem suas próprias, justas e fundamentadas conclusões.

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Dante Delmanto é um ícone da advocacia criminal brasileira, tendo como filho o também ilustre e saudoso jurista Celso Delmanto. Dizer mais é dispensável. E é exatamente pela notoriedade do sobrenome de Dante que seu livro “Defesas que fiz no júri” foi uma bela surpresa, perdida em meio a muitos livros mais técnicos e volumosos, em uma estante de “Direito Penal”. Obra de leitura leve e límpida, ela acaba sendo deveras acessível, principalmente aos que não são íntimos ao mundo do Direito.

A satisfatória experiência de longos anos de Delmanto é a matéria prima deste surpreendente livro. Como é dito na própria apresentação, escrita a 22 mãos amigas do querido mestre, meio século de apaixonada atuação no júri é privilégio de poucos.

Como o próprio nome da obra já antecipa, são trazidos vários casos, cada um apresentado preliminarmente ao leitor, inclusive com menções de notícias e destaques jornalísticos, para, somente depois, mergulhar-se nas veredas do direito, sendo ainda, por vezes, necessário valer-se da alusão aos inafastáveis conhecimentos científicos da perícia e da psicologia. É interessante saborear os deslindes e a solução de todos os casos, sendo praticamente impossível não curvar-se diante da sagacidade de Dante Delmanto em muitos dos episódios.

Até mesmo os menos inclinados às seduções do Direito Penal não conseguem resistir à beleza deste livro, que é uma prova de essencialidade da realização de justiça nesta espinhosa área da ciência jurídica. Mesmo diante da extrema crueldade de alguns casos, somos obrigados a compreender a necessidade do exercício do direito de defesa e a concretização dos ideais de justeza.

A sétima edição de “Defesas que fiz no júri”, que aproveita o ensejo e celebra o Centenário de nascimento do autor, sucede seis edições esgotadas e que atestam a excelência da obra.

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